O Ferrari 375 MM estava equipado com um novo motor V12 de 4 522 cc concebido por Aurelio Lampredi, derivado do motor de 4,1 litros que equipava o 340 MM de 1953. Este novo motor tinha duas válvulas por cilindro e três carburadores Weber e uma potência de 340 CV às 7000 rpm. Em 1953 correram alguns Ferrari com um motor de 4,5 litros, cujo motor era uma evolução do utilizado na Fórmula 1, e utilizavam o chassis e a carroçaria do 340 MM. Na Carrera Panamericana de 1953 correu um Ferrari com uma carroçaria fechada (#0358AM) pilotado por Maglioli/Cassini, cujo desenho prefigurava os futuros 375 MM de 1954 e o estilo Pininfarina dos anos seguintes, onde se destacava a grelha de alumínio de textura rectangular criada por Michelotti e que ficaria um símbolo distintivo de todos os Ferrari, e que forma no 375 MM uma superfície convexa.
Todos os 375MM tinham carroçarias Pininfarina, quer fechadas “Coupé competizione” (9 exemplares construídos) quer abertas “Spider Competizione” (12 exemplares construídos), à excepção de um exemplar com carroçaria spider Vignale (#0286AM) que venceu os 1000 Km de Nurburgring de 1953 com Alberto Ascari e Nino Farina ao volante, mas sendo este um 375 MM na sua versão de 1953. Os 375 MM tinham 2,6 m de comprimento, para um peso total, na sua versão mais leve, de cerca de 900 Kg e um comportamento caprichoso, característica que fazia com que exigissem dos seus pilotos excelentes dotes de condução.
Este modelo encontrou uma grande procura nos clientes da marca, que o utilizavam preferencialmente em pista, mas também em estrada. O realizador de cinema italiano Roberto Rosselini e o imperador Bo-Dai da Tailândia foram alguns dos utilizadores dos 5 modelos de estrada construídos.
A carreira deste modelo foi curta mas recheada de sucessos, com vitórias nas 24 Horas de SPA, 1000 Km de Nurburgring, 12 Horas de Casablanca, no Circuito de Pescara em 1953 e nos 1000 Km de Buenos Aires de 1954.

Nº de chassis construídos (1953/1955): 

                                                         Competição: Total de 21 exemplares
                                                         Pinin Farina Berlinetta: 7, entre #0358AM e #0472AM
                                                         Pinin Farina Spider: 14, entre #0360AM e #0460AM

                                                         Produção: Total de 3 exemplares
                                                         Pinin Farina Coupe Speciale: 2, #0456AM e #0490AM
                                                         Ghia Coupe: 1 exemplar, #0476AM

_________________________________________________________________________

#0366AM


Casimiro de Oliveira era um dos clientes mais fiéis da Ferrari na época, e não hesitou em comprar um 375 MM em finais de 1953. Este 375 MM estava equipado com um chassis tipo 102, um motor também do tipo 102 que tinha uma cilindrada de 4,5 litros, a caixa de velocidades era tipo 102/#11D e a ponte tipo 102/#9A. Foi a 29 de Outubro de 1953 que o motor ficou pronto e o #0366AM teve o seu teste de estrada a 6 de Novembro desse mesmo ano. A folha de trabalho de Pinin Farina é a número #12562, tem a data de 16 de Novembro de 1953. O 375 MM recebeu então a matrícula Italiana BO29398, que ostentou enquanto esteve na posse de Casimiro de Oliveira.
Casimiro de Oliveira iniciou a sua carreira desportiva deste 375 MM, nos finais de 1953, a 20 de Dezembro, nas 12 Horas de Casablanca. Casimiro fez parte da equipa oficial da Ferrari destacada para essa prova, com Alberto Ascari, e tinha o nº1 nas portas. Um acidente de Casimiro durante os treinos deixou este automóvel inutilizável para a corrida. Nesta 1ª prova com o Ferrari 375 MM, Casimiro começou a aperceber-se das exigências de pilotagem deste automóvel. Curiosamente, outro Ferrari 375 MM com o nº 2, pilotado por Nino Farina e Piero Scotti venceu esta prova, naquela que foi a prova de estreia deste novo Ferrari 375MM na sua configuração de 1954. Depois de uma revisão em Maranello, o Ferrari 375MM e Casimiro de Oliveira tiveram um encontro com a vitória a 23 de Maio de 1954, no Grande Prémio de Hedemora na Suécia, batendo George Abecassis num HWM Jaguar e Duncan Hamilton num Jaguar. Entretanto, disputaram o V Circuito Internacional do Porto (27 de Junho) e o IV Grande Prémio de Portugal em Monsanto (25 de Julho), tendo abandonado em ambas, e a 5 de Setembro ficaram em 7º no grande prémio da Suécia, disputado a 5 de Setembro no aeródromo de Skarpnack.
Em 1955, Casimiro vendeu o seu 375MM ao sueco Tore Bjurstrom, que era o representante local da Ferrari e o responsável pela importação do 1º Ferrari para a Suécia, e que fazia correr o piloto Valdemar Stener, No entanto, devido ao acumular de acidentes, uns maiores que outros, o automóvel foi enviado para Maranello para uma intervenção mais profunda que passou pela montagem de uma nova carroçaria, não da Pininfarina, mas sim feita pela Carrozzeria Scaglietti, transformando desta forma o Ferrari 375MM no único destes modelos a receber uma carroçaria feita por Sergio Scaglietti, e que prefigurava as linhas do futuro 750 Monza. A Carrozzeria Scaglietti era, nesta altura, sobretudo uma oficina reparadora de Ferraris, no entanto a força criativa deste levou-o a fazer uma interpretação pessoal do 375 MM.
Apesar disto, este Ferrari manteve sempre o seu número de chassis, mantendo actualmente a carroçaria Scaglietti.

1953


12 Horas de Casablanca
20 de Dezembro
Casimiro de Oliveira/Alberto Ascari (nº1)
Acidente nos treinos
Não alinhou na corrida
(Foto: Colecção Manuel Taboada)


1954


Hedemoraloppet
Circuito de Hedemora
21, 22, 23 de Maio
Casimiro de Oliveira (nº1)
Treinos: 2º
Corrida: 1º (25 Voltas, 181,625 Km, 1h 10' 30'', 09 a média de 154, 500 Km/h.
Volta mais rápida da corrida com um tempo de 2' 42'', 05 à média de 161, 654 Km/h
(Foto: retirada de um filme do arquivo Filmarkivet)


V Circuito Internacional do Porto
 “1º Grande Prémio do Porto”
27 de Junho
Casimiro de Oliveira (nº17)
Treinos: 3º
Corrida: Não terminou
(Foto: Revista ACP/Coleção Manuel Taboada)


II Circuto Internacional de Lisboa
IV Grande Prémio de Portugal
24/25 de Julho
Casimiro de Oliveira (nº9)
Treinos: 8º
Corrida: Não terminou
(Foto: Col. Boudewijn Berkhoff)


Grande Prémio da Suécia
Skarpnack
5 de Setembro
Casimiro de Oliveira (nº36)
Corrida: 7º
_________________________________________________________________________

#0360AM

Este 375MM começou a sua carreira desportiva nas 12 Horas de Casablanca de 1953 com uma vitória, ao volante do Ferrari estavam Piero Scotti e Guiseppe Farina. Durante 1954 e 1955 foi sempre utilizado por Piero Scotti. Tinha a cor vermelha e posto de pilotagem à direita.


1954


II Circuito Internacional de Lisboa
IV Grande Prémio de Portugal
24/25 de Julho
Piero Scoti (nº7)
Corrida: 8º
(Foto: Arquivo ACP)
_________________________________________________________________________

#0370AM



Este 375 MM, foi acabado de construir a 25 de Novembro de 1953, e tinha posto de pilotagem à direita. Iniciou a sua carreira desportiva com uma vitória nos 1000 Km de Buenos Aires de 1954 (24 de Janeiro), através da equipa formada por G. Farina e U. Maglioli. A partir da corrida de Buenos Aires este Ferrari recebeu algumas alterações, entre outras: não tinha encosto para a cabeça do piloto, foi-lhe colocada um espaço para matrícula no capôt traseiro e tinha um pára-brisas basculante. A partir de Março de 1954 foi adquirido por Masten Gregory, que o utilizou em corridas nos Estados Unidos da América e na Europa. Ainda em 1954 (10 de Abril), em Pebble Beach, Gregory sofreu um acidente, durante os treinos, que para além de o impedir de disputar a corrida, obrigou o 375MM a uma recuperação em Maranello. Teve uma intensa carreira desportiva até finais de 1958.


1954


II Circuito Internacional de Lisboa
IV Grande Prémio de Portugal
24/25 de Julho
Masten Gregory (nº6)
Corrida: 3º
(Foto: Jornal O Volante/Coleção Manuel Taboada)

_____________________________________________________________________________________________

#2


Louis Rosier compareceu neste Grande Prémio com um Ferrari 375GP #2 inscrito pela sua equipa (Ecurie Rosier), um Ferrari que iniciou a sua carreira em 1951 como um monolugar de Fórmula 1, utilizado pela Scuderia Ferrari e com Alberto Ascari ganhou o Grande Prémio de Itália de 1951. Antes de ser vendido a Louis Rosier (em finais de 1951) foi equipado com um motor com 24 velas e pintado de azul, tendo sido utilizado pelo francês em algumas provas de Fórmula Um durante 1952 e 1953. (Em 1952 e 1953 ganhou o Grande Prémio de Albi.) Em finais de 1953, Sergio Scaglietti produziu uma carroçaria Sport que adaptou ao châssis do 375F1 e, nesta configuração, Louis Rosier utilizou-o pela primeira vez nos 1000 Km de Buenos Aires, onde juntamente com Maurice Trintignant conseguiu o 7º lugar final.


1954

V Circuito Internacional do Porto
 “1º Grande Prémio do Porto”
27 de Junho
Louis Rosier (nº4)
Treinos: 15º
Corrida: Não terminou
(Foto: Arq. ACP)